terça-feira, 26 de março de 2013

Água: Sabendo usar não vai faltar - I


Se partirmos do princípio que o Petróleo é o resultado de uma transformação química da matéria orgânica ao longo de milhões de anos, poderíamos afirmar que é um recurso energético renovável. Porém, as necessidades humanas são imediatistas, isto é, precisamos do recurso agora. Então, do ponto de vista prático, o Petróleo não é uma fonte de energia renovável.

- E a água, uma substância inorgânica, seria ou não renovável?

Todos os recursos hídricos do planeta são os mesmos desde sua origem até hoje. Ao contrário do Petróleo, não existem substâncias, sistemas ou reações químicas NATURAIS que possam produzí-la ou reproduzí-la. Portanto, considerando o mesmo ponto de vista do Petróleo, definitivamente não é um recurso renovável.

- Mas e as chuvas que invariavelmente desabam sobre nossas cidades e causam enchentes? E na Amazônia, que chove todos os dias... A água não tem fim!!

As chuvas que assolam sobre as cidades são resultado do CICLO DA ÁGUA: Os rios e o solo evaporam e as plantas transpiram, sobe o vapor, resfria-se, torna-se mais pesado que o ar e precipita-se em forma de chuva; um ciclo natural, infinito e perfeito. Este ciclo é o principal responsável pela depuração das águas desde o início da vida no planeta. Portanto, toda a água existente no planeta é a mesma desde sua origem; ela apenas muda  de lugar, atinge outras bacias distantes por meio dos rios principais e seus afluentes, ou por força dos ventos que empurram as nuvens para outras localidades, sem contar outros fenômenos de mudanças climáticas globais e locais. A depuração ocasionada pelo Ciclo da Água nos levaria a afirmar que ela é um recurso renovável, no sentido literal de RENOVAÇÃO, estar "nova de novo". Se o Ciclo da Água é infinito, se a água é sempre a mesma, não se cria e não se perde, apenas se transporta, então ela seria considerada INFINITA, isto é, não teria fim. Mas nós, seres humanos, estamos conseguindo mudar esta definição.
Quando uma indústria não trata seus efluentes, ou quando uma cidade não trata seus esgotos e ambos os despeja em rios, córregos, etc., a capacidade que aquele corpo d'água tem de diluí-los não será suficiente, tornando-o poluído e impróprio para o consumo. Além disso, quando há a evaporação, grande parte dos poluentes sobem junto com o vapor d'água e, quando há a precipitação, ocorre o fenômeno chamado de CHUVA ÁCIDA. Alguns desses corpos hídricos são utilizados no fornecimento de abastecimento de água, sendo necessário um tratamento adequado para o consumo. Mas vários deles já se encontram "mortos", sem quaisquer possibilidades de utilização, como por exemplo o trecho urbano do Rio Tietê, em São Paulo. Um rio morto significará também várias espécies da fauna e da flora mortos.
Portanto, a água tem fim SIM! A água potável ou em condições de tratamento para o consumo pode acabar.

Na próxima postagem falarei sobre a "Água Virtual" dos processos de produção. Até lá.

sexta-feira, 22 de março de 2013

Dia 22 de março: Dia Mundial da Água

Diariamente vemos dezenas de postagens relacionadas à conservação ambiental.
Principalmente nós, graduandos e graduados na área Ambiental, fazemos isso até que instintivamente.
Hoje é 22 de março, Dia Mundial da Água. Onde estariam as instituições de ensino, neste dia e no resto do ano, que deveriam atuar em prol da comunidade, local e global?

Nós da Fatec-SP teremos, humildemente, nossa semana da água de 20 a 24/05. Mas cadê a USP, a UNIFESP, a UNESP, PUC, Mackenzie, IFSP, UNIP, São Judas, etc., etc.? Qual a mobilização sobre a situação ambiental atual? Qual a sugestão? Seus professores resumem-se em dar entrevistas para o Jornal da Globo, mas sair da zona de conforto ninguém quer. Se uma universidade como a Stanford pode, com frequência, promover debates públicos sobre o assunto, porque vcs dormem?
 

terça-feira, 12 de março de 2013

Saneamento é básico

De acordo com o IBGE (2010), 58,9% da população urbana possui coleta de esgoto e 41,1% possui fossas, despeja suas fezes "in natura" nos corpos hídricos ou não possui quaisquer sistemas, quer dizer, fazem ao ar livre. O agravante é que, dos 58,9% coletados, não se sabe ao certo o quanto é tratado antes de ser despejado. E isto de acordo com o próprio IBGE:

"É importante ressaltar que a estatística de acesso à rede coletora de esgoto refere-se apenas à existência do serviço no município, sem considerar a extensão da rede, a qualidade do atendimento, o número de domicílios atendidos, ou se o esgoto, depois de recolhido, é tratado".

Sem falar da população rural: 5,8% com Rede e 94,2% com fossas e etc. Detalhe: entre esses 94,2% estão 20,8% (6 milhões de pessoas) que simplesmente fazem suas necessidades ao ar livre.

Vale a pena baixar esses relatórios. Assim, quando falarem sobre erradicação de alguma coisa, informe-se melhor pois R$ 100,00 de renda mensal vai continuar matando crianças de até 5 anos por falta de saneamento e desnutrição.


http://www.ibge.gov.br/home/estatistica/populacao/condicaodevida/pnsb2008/PNSB_2008.pdf

http://www.ibge.gov.br/home/estatistica/populacao/censo2010/caracteristicas_da_populacao/resultados_do_universo.pdf


terça-feira, 5 de março de 2013

Usinas Hidrelétricas: males necessários?

Este é o ponto de vista ambiental.

Entre todas as formas de geração de energia elétrica, as usinas hidrelétricas são aquelas que, DURANTE SUA OPERAÇÃO, causam menos impactos ambientais e geram a energia mais limpa. Mas o impacto gerado quando de sua construção é gigantesco, ao ponto de mudar totalmente todo o ecossistema da região.
A inundação de uma grande área sobre nichos ecológicos faz com que as espécies ali nativas migrem (fauna) ou deixem de existir (flora), portanto este bioma ficará desequilibrado devido à ausência de espécies, enquanto que o bioma para onde algumas dessas espécies migrarão também se desequilibrará.
Por outro lado, em seus arredores são construídas centenas de casas com infraestrutura, saneamento, etc. para receber as famílias de todas as pessoas envolvidas durante a construção, estrutura esta que, fatalmente, irá permanecer e receber mais pessoas com o passar dos tempos.
O ciclo hidrológico também é diretamente afetado, uma vez que o rio principal (talvegue) tem seu curso interrompido e uma área extensa é inundada, com um volume imenso de água reservado. O solo do reservatório permanecerá submerso, diferentemente de suas origens, e a evapotranspiração ocorrerá de forma diferente, pois a área do reservatório será muitas vezes maior do que a área do rio (maior evaporação) e não mais haverá a vegetação e as árvores de antes (transpiração); em consequência, as chuvas terão outra postura, seja de frequência, seja de intensidade. A bacia terá outra postura, afetando inclusive as bacias vizinhas.

Este é o ponto de vista sócio-econômico.

Hoje no Brasil, mais de 53 milhões de pessoas (27,3%) vivem com até 1 salário mínimo, sendo que 16 milhões destas vivem em extrema pobreza.
O PIB (Produto Interno Bruto) é um dos principais indicadores de uma economia. Ele revela o valor de toda a riqueza gerada no país. De acordo com o IBGE, o PIB cresceu 0,9% no ano passado, muito abaixo das previsões. Porém, de acordo com especialistas, há perspectivas de recuperação da economia brasileira.
Para que aquelas pessoas acima mencionadas deixem de ser sobreviventes e integrem a sociedade, somente há duas possibilidades: 1) ou as pessoas com vida mais estável doam parte daquilo que têm ou recebem àqueles menos favorecidos; 2) ou o país cresce, aumentando as exportações, aquecendo o comércio interno, investindo em infraestrutura e gerando empregos. Como é improvável considerar a primeira opção, resta-nos aquecer a economia.
Aumentar exportações, aquecer o comércio interno, investir em infraestrutura; para todos esses fatores, será necessário, obviamente, produzir mais energia. Não possuímos tecnologias nem recursos financeiros que possibilite a construção de usinas eólicas ou solares menos impactantes porém menos eficientes. Mas o país tem um potencial hidráulico gigantesco para gerar energia elétrica à partir dos desníveis de nossos corpos d'água. Mais de 95% de toda energia produzida no país advêm das usinas hidrelétricas, que é, portanto e por enquanto, nossa única opção.

O impasse é: deixamos de construir novas usinas e conservamos a natureza intacta, deixando de injetar bilhões de dólares no país e deixando de incentivar as pesquisas em novas tecnologias mais limpas e sustentáveis, condenando ainda milhões de pessoas à marginalidade e, quem sabe, à morte, ou construímos novas hidrelétricas, aceleramos a economia, incluímos socialmente as pessoas mas desequilibramos ainda mais nosso ecossistema para depois tentar reverter a situação ambiental?

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013

Por quê racionar a água??

Aos olhos da população leiga paulistana, dizer que há um estresse hídrico, isto é, escassez de água, seria uma blasfêmia:

— Como assim escassez de água se todo ano sofremos com temporais e enchentes?

A cidade de São Paulo possui uma área de 1.523 km2, a qual recebe, anualmente, aproximadamente 1300 mm de chuva, quase 2 milhões de m3 de água precipitada, por ano.
O consumo de água é de 185 litros/habitante/dia. Como possui 11.316.149 de habitantes, temos uma média acima de 764 milhões de m3 de água consumida por ano. Com estes dados, e acrescentando alguns agravantes, fica mais fácil responder à pergunta anterior.

AGRAVANTES

- Não existe manancial de água natural bruta na cidade que possa ser tratada e distribuída. Todos os rios e córregos estão gravemente poluídos como, por exemplo, Tietê, Pinheiros e Tamanduateí, tornando inviável a captação de água.

- A água distribuída hoje é trazida desde Minas Gerais, percorrendo uma distância com mais de 100 km. Ainda que os rios da capital pudessem ser utilizados para o abastecimento, os habitantes consomem 382 vezes mais água do que a capacidade de recarga hídrica por meio das chuvas. A situação é tão crítica que outro sistema, distante mais de 70 km, está sendo construído para suprir o constante aumento da demanda.

- O caminho natural dessas águas, sem a impermeabilização, depura-a e filtra-a naturalmente. Os arruamentos, asfaltos e duplicações de avenidas ocasionam a impermeabilização do solo. Com isso, toda a água das chuvas que antes se infiltrava no solo e abastecia os lençóis freáticos e, consequentemente, os rios, agora são direcionadas às estações de tratamento de esgotos – ETE, ou são encaminhadas aos córregos e rios.
Isto significa duas péssimas notícias:
a) se despejados diretamente sem tratamento, arrastará para seus leitos toda a poluição contida no ar (poeira, gases, etc.) e nos asfaltos (borracha, óleos, resíduos orgânicos de animais e vegetais e toda a sorte de sujeiras descartadas no solo);
b) se direcionados às ETE’s, a recarga do corpo hídrico acaba não sendo feita, mas sim no canal mais próximo da estação.
Em rios como o Tietê, por exemplo, cuja poluição é difusa (isto é, a origem não é conhecida), não tem condições de se auto depurar, seja pela falta de recarga, seja pela recarga já poluída.

Então, o estresse é real. Se somarmos a tudo isso uma taxa de crescimento populacional de aproximadamente 1% a.a. (ao ano), serão 7,6 milhões de m3 de água a mais no consumo anual.

Devemos urgentemente reduzir o consumo de água:

a)      utilizando água de reuso para necessidades não nobres (lavar carros, calçadas, rega de plantas, descargas sanitárias, etc.;
b)      utilizando conscientemente este recurso mágico, sem desperdícios;
c)       implantando idéias de urbanização sustentável, (vide sugestão de links);
d)      reciclando materiais como plástico, alumínio, papel e vidro. Uma grande parte dos processos de fabricação desses materiais utilizam MUITA água. Na Reciclagem, uma parte do processo não se faz necessária, economizando matéria-prima e água.

Até mais!!

terça-feira, 29 de janeiro de 2013

Reativando o blog

A partir de hoje estou reativando o blog. Semanalmente trarei algum assunto ligado ao meio ambiente, enfatizando sempre nossos recursos hídricos.

Minha intenção é colocar o meio ambiente em evidência, longe do sensacionalismo barato ou da proliferação de "terrorismos" mentais.  Tratar do assunto da maneira como deve ser tratado: com seriedade e responsabilidade, mas com descontração, tentando abster-me de termos técnicos, trazendo e recebendo informações, um pouco de cultura e propondo soluções.

Estarei receptivo a opiniões, sugestões e críticas, incentivando novas tecnologias, ainda que comerciais, e sem cobrança pelo espaço. Acho que, independente da intenção, comercial ou social, se a idéia ou o projeto tem por base alguma minimização da degradação ambiental, será bem vinda.

Até semana que vem.