sexta-feira, 29 de abril de 2016

Proposta de Emenda Constitucional transforma EIA/RIMA em Licenciamento Ambiental

A Comissão de Justiça do Senado aprovou dia 27/04/2016 a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) nº 65/2012, alterando o artigo 225 da Constituição federal. Segundo os autores, o objetivo é combater o desperdício de recursos públicos com obras inacabadas, uma vez que, se aprovada no Plenário do Senado, haverá uma vedação da suspensão ou cancelamento da execução de obras cujo estudo prévio de impacto ambiental tenha sido apresentado e aprovado.

Quero aqui tentar traduzir essa alteração da legislação ambiental tão repercutida nos últimos dias.

O tão comentado "parágrafo 7º" à ser incluído ao artigo 225 da Constituição diz o seguinte:

"§ 7º A apresentação do estudo prévio de impacto ambiental importa autorização para a execução da obra, que não poderá ser suspensa ou cancelada pelas mesmas razões a não ser em face de fato superveniente."

(Vide íntegra da PEC)


Ao meu ver:

1) O EIA/RIMA passa a a ter a mesma força das Licenças Prévia (LP) e de Instalação (LI), dispensando-as;

2) De acordo com o sítio do Senado, a Proposta é direcionada às obras públicas que são interrompidas judicialmente por opositores sucessores dos cargos do Executivo (prefeitos, governadores e presidente); porém, conforme observa-se acima na transcrição do tal "parágrafo sétimo", não há menção alguma que tal determinação tenha como objetivo apenas as obras públicas, portanto se assim for aprovado, nada impedirá que obras privadas recorram ao mesmo artifício.

3) A alegação de "evitar interrupção de obra para combater desperdício público" não pode ser usada para isentar quaisquer obras do licenciamento ambiental e instaurar o EIA/RIMA em seu lugar, uma vez que este é apenas o resultado de um estudo que demonstra quais serão os impactos ambientais, sociais e etc. que decorrerão da obra e quais serão as atitudes mitigadoras, enquanto que o licenciamento é um instrumento que certifica a regularidade daqueles documentos, se as etapas de implantação do projeto estão de acordo com o previsto; assim somente haveria prejuízo ao erário caso sua realização estiver superfaturada, assunto este não abarcado pelo Direito Ambiental;

4) Mencionar que a obra não pode ser suspensa ou cancelada pelas mesmas razões (que a originou) é absolutamente dispensável. Partindo-se do princípio de que ela foi aprovada em todos os âmbitos, não haveria o porquê de tudo ser revisto, exceto por erro de projeto não observado em sua concepção e que cujo prosseguimento coloque em risco o meio ambiente, a comunidade e etc., ocorrências tais que estamos considerando como "fatos supervenientes", mesmo porque caso tais riscos sejam detectados, certamente seria paralisada com base em outras legislações.

5) Além dos motivos de risco à saúde e/ou ao patrimônio público e ambiental, com certeza a obra poderá ser paralisada por suspeita de crimes de responsabilidade, improbidade ou de corrupção, e nestes casos não se pode confundir Direito Ambiental e Direito Penal. E se o sucessor político paralisar uma obra com intuito protelatório, há outros remédios legais para isto.

Em síntese: Absolutamente desnecessária esta Emenda Constitucional do ponto de vista de desperdício do erário, mas altamente perigosa do ponto de vista ambiental. Ela permitirá que métodos "escabrosos" não tenham freios legais e, ao contrário do que se alega, os cofres públicos poderão sofrer muito mais vazamentos, haja visto que uma obra não poderá ser embargada caso ela esteja sendo implementada de forma ineficiente, ineficaz e de forma espúria.

Nossos políticos brasileiros são capazes de produzir tanta ambiguidade em tão poucas palavras, sem falar no tempo absurdo perdido em algo que poderia ser resolvido por outros meios. Obviamente que tudo isto tem apenas uma finalidade...

Um abraço à todos...

quarta-feira, 13 de abril de 2016

É estarrecedor saber que o Ministério do Meio Ambiente possuía as informações sobre um possível desastre 5 anos dele ocorrer. E nada fez...

Por questões pessoais estive durante estes dias estudando a versão preliminar do Plano Nacional de Resíduos Sólidos, uma das exigências da Lei 12.305/2010 que estabeleceu a Política Nacional de Resíduos Sólidos. O item 1.8 do plano, que fala sobre Resíduos Sólidos de Mineração, fez com que a imagem do mar de lama da barragem rompida em Mariana/MG viesse à mente e aquela pequena chama de indignação adormecida voltasse a arder mais forte.

No mencionado item 1.8 do Plano Nacional de Resíduos Sólidos, entregue preliminarmente em 2011, consta o seguinte:


"A disposição de rejeitos de mineração em barragens é o método mais comumente usado no país. [...] Barragens de rejeitos apresentam um sério risco se não forem adequadamente planejadas, operadas e mantidas. Em 2009 o estado de Minas Gerais possuía 600 barragens, sendo 500 do setor de mineração. Segundo a Fundação Estadual do Meio Ambiente existiam nessa época 62 barragens de rejeitos e resíduos [...] que apresentavam risco e necessitavam de intervenções para melhorar a estabilidade. A importância do tema é de tal ordem que em 2010 foi sancionada a Lei nº 12.334 que estabelece a Política Nacional de Segurança de Barragens."


É estarrecedor saber que o Ministério do Meio Ambiente possuía as informações sobre um possível desastre 5 anos dele ocorrer. E nada fez...

A implantação da Política Nacional de Resíduos Sólidos vem sendo prorrogada infinitamente: Além de 36% dos lixões no país ainda não terem sido desativados, o Ministério do Meio Ambiente sequer entregou seu próprio Plano Nacional e toda essa procrastinação do próprio governo retarda uma melhor visão sistêmica e controle da questão, além de ensejar a mesma leniência por parte dos municípios em confeccionar seus próprios planos. O que dizer então sobre a vontade dos prefeitos em implantar aterros sanitários? O exemplo vem de cima...

Toda essa preguiça política reflete em situações como a da Samarco e seu desastre ecológico. Pagar pelo crime, de certo que eles pagarão, o grupo é bilionário e já iniciou obras de recuperação, mas as mortes humanas não têm preço; o desequilíbrio ecossistêmico não pode ser pago; o dinheiro talvez possa recuperar as áreas degradadas mas não trará à vida a fauna e a flora dizimadas pelo mar de lama; como quantificar o valor das pessoas e animais desabrigados, o horror vivido e a dor sofrida? E a impossibilidade de usufruir um corpo hídrico completamente contaminado, seja para dessedentação, para a pesca ou para o lazer, pode-se mensurar financeiramente?

Mas este é o país do futuro. Talvez por isso o plano ainda não foi definitivamente entregue, a Samarco não foi notificada à tempo de evitar o desastre e os lixões ainda persistem em existir... Fica tudo para o futuro.


Um abraço à todos.



Link:

Plano Nacional de Resíduos Sólidos (versão preliminar)


quarta-feira, 9 de março de 2016

Geraldo Alckmin afirma que Sistema Cantareira já está pronto para suportar seca de até 4 anos (!!)

Segundo entrevista concedida, o "Governador de São Paulo afirmou que não há mais riscos de falta de água. Segundo ele, o Cantareira suportaria até 4 anos de seca com atual volume."




Será que podemos acreditar nisto? Vamos lá pessoal, um pouquinho de raciocínio:
O volume disponível hoje no Cantareira é de 577,3 milhões de m³. A capacidade total, que era de 982 milhões de m³, hoje é de 1.270 milhões de m³, pois conta com o sistema de bombeamento do volume morto, e DEVE-SE CONSIDERAR ESTE TAMBÉM. Então, o reservatório está HOJE com 45,4% de sua capacidade. No dia 09/03 de anos anteriores ao estresse hídrico histórico, a disponibilidade era a seguinte:

- 2013 = 57,13%
- 2012 = 76,22%
- 2011 = 89,70%
- 2010 = 96,92%

Em 2013 já havia sinais claros de que iria haver uma crise hídrica, mas nada foi feito. Não havia estrutura para o volume morto, então a capacidade do reservatório era menor. Mas aqueles 57,13% correspondiam a 561 milhões de m³, isto é, praticamente os 45,4% do mesmo volume atual (diferença de 2,77%). Mas a crise hídrica chegou e praticamente DIZIMOU o Cantareira em apenas UM ANO. Eu disse UM ANO!!!! O governador alega que pode haver uma seca de QUATRO ANOS que o Sistema suporta... 

Diante disto, há duas alternativas para este pronunciamento infeliz do "competente" governador do estado de São Paulo:

a) Ele não faz a mínima ideia do que está falando, e isto é grave;
b) Ele sabe exatamente o que está falando, e ISTO É MAIS GRAVE AINDA, pois estaria sendo dissimulado ao disseminar uma DESINFORMAÇÃO à população leiga.

Eu disse GRAVE, pois a realidade nua e crua é que o Sistema somente irá se recuperar em 2 ou 3 anos CASO NÃO HAJA NOVA SECA HISTÓRICA.

O que nos resta? Apenas fazer pensamento positivo para que não haja uma nova seca histórica, pois este é o governador eleito democraticamente em 1º turno.

quarta-feira, 16 de dezembro de 2015

O que há por trás da COP 21?

O documento firmado na semana passada durante a Conferência da ONU sobre Mudanças Climáticas, em Paris trouxe novas perspectivas e esperanças aos jornalistas e aos ativistas "verdes". O acordo busca reduzir as emissões de carbono visando que o planeta sofra uma elevação de temperatura abaixo de 2 °C até 2100, em comparação à média do planeta antes da Revolução Industrial.

- O que fazer para alcançar isto?

Reduzir as emissões de GEE, como o CO2, cessando a queima de carvão e petróleo e adotando fontes de energia renováveis.

- Como pagar por isso?

Os países desenvolvidos desembolsarão 100 bilhões de dólares por ano aos países em desenvolvimento entre 2020 e 2025. Isto significa que os países desenvolvidos irão reduzir suas emissões e ainda investir em tecnologia nos países em desenvolvimento para que estes também reduzam suas emissões. Alguém aí acredita em Papai Noel?

Álcool X Gasolina


A eficiência energética do álcool é 32% inferior à da gasolina. Do ponto de vista energético, isto significa que 100 litros equivale a 68 litros de gasolina. No Brasil, o combustível fóssil é a principal matriz energética (54,1%). Isto significa que, para o Brasil substituir estes combustíveis pelo álcool, por exemplo, teríamos que aumentar em incalculáveis 378%. Uma tonelada de cana-de-açúcar produz 42 litros de etanol; esta mesma tonelada de cana precisa de 62 hectares para ser produzida. Se hoje ocupa-se uma área de 5 milhões de hectares para a produção atual, então seriam necessários mais 18,9 milhões de hectares.
Se isto parece impossível, imagine então isto aqui: Segundo dados da Agência Internacional de Energia (AIE), aproximadamente 87% da energia utilizada no planeta é oriunda de fontes não renováveis, como o petróleo, carvão mineral e gás natural.
Pode-se observar que o acordo de substituir o petróleo e seus derivados é utópico. Mesmo que falemos de uma substituição da ordem de 50% isto seria IMPOSSÍVEL em 50 anos, o que dizer para daqui a 5 ou 10 anos???!!! Isto se considerarmos apenas o álcool produzido pela cana-de-açúcar, o combustível renovável com melhor rendimento energético. Não há sequer possibilidade de pensar-se em substituir o petróleo por outros biocombustíveis.

Corrupção


Por outro lado, claro que os governos dos países em desenvolvimento estarão esperando de braços abertos a parte que lhes caberá neste latifúndio do rateio de US$ 100 bilhões anuais. Participei recentemente do curso Combate à Fraude e Corrupção nas Contratações Públicas, promovido pela Fundação Vanzolini e ministrado por Michael Kramer, investigador do Banco Mundial e membro do corpo docente da GovRisk e fiquei estarrecido com as informações sobre desvio de dinheiro enviados pelo Banco Mundial para a construção de escolas, hospitais e estruturas de saneamento básico, entre tantos outros investimentos, mas cujas quantias se perdem e não chegam aos seus destinos. Se somas em dinheiro destinadas à estruturas básicas de necessidade pública, muitas vezes necessárias á sobrevivência de uma população inteira, são desviadas, imaginem valores destinados a desenvolver e implantar substitutos de combustíveis!!! Se governos corruptos pouco se importam com a vida de seu próprio povo, eles iriam preocupar-se com combustíveis??? A corrupção é mundial, mas nos países em desenvolvimento raramente são punidas. Sim, o dinheiro será bem vindo...

Má intenção


Some-se à esta utopia que tais "investimentos" anuais pontuais em novas matrizes energéticas, menos eficientes, fariam com que houvesse a desaceleração da economia dos países em desenvolvimento, garantindo portanto a hegemonia econômica dos eternos colonizadores, ao lado dos EUA.
Além disso, quanto maior o consumo de biocombustíveis, menor a dependência com relação aos países árabes, os quais poderão ter reduzidas suas economias e suas capacidades bélicas.


Falei anteriormente que o aquecimento global é uma falácia. Então tudo o que o cerca e o alimente será sempre escuso e mau-intencionado. Mas acreditar em toda essa estorinha infantil de que o planeta pode aquecer 1,5 ºC mas não podemos deixá-lo aquecer 2 ºC, isto sim é gravíssimo pois é um sinal de que teremos uma geração de alienados sem suas próprias indagações.



Um abraço e até o ano que vem!!! Feliz Ano novo a todos!!!


Fontes:

http://www.udop.com.br/index.php?cod=855&item=noticias

http://www.agricultura.gov.br/arq_editor/file/Desenvolvimento_Sustentavel/Agroenergia/estatisticas/producao/Perfil_Sucroalcooleiro_2008_09_versao_publicada.pdf

http://g1.globo.com/natureza/noticia/2015/12/acordo-de-paris-sobre-o-clima-veja-perguntas-e-respostas.html

http://www.bbc.com/portuguese/noticias/2015/12/151212_acordo_paris_tg_rb

http://www.envolverde.com.br/1-1-canais/cop21-sucesso-historico-ou-fracasso-velado/



sexta-feira, 18 de setembro de 2015

Aquecimento Global e caviar: Nunca vi, nem comi, eu só ouço falar...

O mundo está passando por momentos críticos. Enquanto isso a globalização, cantada romanticamente em verso e prosa nos anos 1980, vê seu braço midiático atingir o ápice ao criar em redes sociais comoções de repercussão mundial. Cenas de execuções sumárias, crianças mortas na praia e cartuns com humor negro de péssimo gosto põem em discussão sobre onde termina a liberdade total de expressão e onde começa a disseminação da violência, do preconceito e da segregação racial e religiosa.

Como se isso não bastasse, também nos anos 1980 foi criada a tese do aquecimento global, elegendo o dióxido de carbono como o principal responsável entre uma quadrilha conhecida como Gases de Efeito Estufa (GEE). Com teorias baseadas somente em modelos climáticos absolutamente fabulosos, no sentido literal de FÁBULA, bombardeiam os incautos com altas doses de terrorismo disseminadas pelos coniventes preguiçosos e omissos do mundo todo. Assim, nada melhor do que unir o útil ao agradável: a globalização, o aquecimento global e a rede global de computadores.

Não vou dissertar, aqui e agora, sobre dezenas e dezenas de razões para contradizer essa falácia imposta por políticos da ONU e corroborada por 2.500 "especialistas" do IPCC espalhados por todo mundo, e também não vou entrar no mérito dos motivos que os levaram a criar tal mito. Vou apenas ater-me à uma matéria veiculada pelo Greenpeace Brasil sobre as camadas de gelo no Ártico, veiculada no link abaixo:


Ártico continua diminuindo, e rápido


Segundo a matéria, o "índice mínimo de gelo na região é o quarto mais baixo desde que começou a ser medido; impactos serão sentidos no mundo inteiro com o desequilíbrio climático".
Vamos observar o trecho "desde que começou a ser medido": A notícia informa que as medições iniciaram em 1979, isto é, há 36 anos atrás. Até aí tudo bem, estão embasados em um estudo estatístico.
Mas segundo cálculos obtidos pelo método absoluto, que trabalha com os princípios da radioatividade (isótopos, meia-vida, etc.), a Terra teria aproximadamente 4,56 BILHÕES de anos. Ou seja, o período em que foram feitas as tais medições equivalem a 0,0008% da idade do planeta. Em outras palavras, 36 anos de medições não são capazes de provar NADA diante da idade do planeta. Quer saber, em termos práticos, o que significa esta bizarra afirmação?

Imagine afirmar que um determinado ser humano de 50 anos tem uma tendência a contrair câncer pois nos últimos 2 minutos ele coçou o braço 4 por vezes...

Continuando com a "notícia", existe lá um gráfico obtido do Centro Nacional de Dados sobre Neve e Gelo - NSICD, mantido pela Universidade do Colorado (EUA). A curva estabelece nitidamente uma característica senoidal, pois há variações de temperatura durante o ano.




Mas o fato é que o gráfico estabelece as curvas dos anos de 2007, 2011, 2012, 2014 e 2015, comparando-as com (pasmem!) uma absurda curva média do período de 1981 a 2010.
Não sou religioso, mas preciso de uma exclamação antes de opinar: Meu Deus do céu!!!
Qual a credibilidade em comparar uma média com um valor absoluto, se dentre os valores da própria média podem haver disparidades, negativas ou positivas, que ocorreram antes mas que ficam camufladas ao serem ocultadas pela média!!! Em termos práticos:

Frequentemente ouvimos que o Brasil possui 12% de toda água doce do mundo, logo, não deveríamos estar passando por uma crise hídrica. Estes 12% são o somatório de todos os recursos hídricos brasileiros, porém a realidade é outra: 80% dos recursos hídricos estão na região que possui apenas 20% da população, enquanto que os demais 20% dos recursos estão localizados nas regiões que possuem 80% da população. Sim, estou falando de um somatório que leva ao todo, mas se não observarmos os dados com uma lupa, incorre-se em erros crassos. No caso da distribuição hídrica, se olharmos apenas para os 12% estamos tranquilos, porém a DISTRIBUIÇÃO desses 12% é absolutamente desigual, não é uniforme.

Isto sem considerar novamente que, se usarmos os dados de uma ínfima porção de tempo diante de uma eternidade de anos, o máximo que iremos obter é uma espécie de fotografia do momento, e não uma base estatística plena. Além disso, o clima é CÍCLICO, imprevisível. Já houveram grandes e pequenas eras glaciais, assim como as temperaturas já elevaram-se muitos graus à ponto de o solo da Groenlândia, por exemplo, ficar totalmente à mostra, sem a camada de gelo. Porém isto acontece em centenas, milhares ou dezenas de milhares de anos, e não em parcos 36 anos...

Mas, fechando a matéria com chave de ouro, eis que a ONG conclama a todos:

"Se você acha que o Ártico deve ser preservado, em vez de explorado, junte-se a nós."

Porém, ao invés de informar sobre qual seria a causa disto estar ocorrendo e como poderia-se reverter este "problema", ainda que seja uma explicação apenas superficial, introdutória, eis que deixam um botãozinho de "Junte-se a nós", o qual leva o indivíduo de boas intenções a uma página de... doações???

Contra a lógica e o raciocínio não há "achismos" ou "superstições" que perdurem. Já está mais do que na hora de acabar com a palhaçada dessa farsa de aquecimento global que só serve para espalhar o terror e patrocinar a vida de "bons vivants" e aventureiros!!!


Até breve!!!

quinta-feira, 13 de agosto de 2015

Minhocultura ou Vermicompostagem

Reduzir o consumo, reusar e reaproveitar materiais usados ou reciclá-los: Estas são fórmulas já conhecidas quando falamos de resíduos sólidos secos, tais como papel, jornal, potes plásticos ou de vidro, entre muitos outros materiais. Mas como reduzir a quantidade de resíduos orgânicos (ou úmidos) que entregamos para a coleta pública?







COMECE A SUA!!!


Até a próxima.

quarta-feira, 8 de julho de 2015

Usinas Termoelétricas - O Estado de São Paulo na contramão do mundo

Há algumas décadas, cientistas do mundo todo elegeram os combustíveis fósseis como sendo os maiores responsáveis pela degradação do meio ambiente e apontam para as fontes de energia renováveis como a principal saída para o desenvolvimento sustentável. Mas infelizmente os governantes brasileiros não acompanham estas tendências mundiais.

O governador Geraldo Alckmin autorizou, e a EMAE - Empresa Metropolitana de Águas e Energia publicou em 07.07.2015 um Decreto chamando interessados em formar consórcio ou parceria em sociedade para a implantação e exploração de usinas termoelétricas movidas a gás natural.
Substituir gradualmente as matrizes energéticas não renováveis por tecnologias limpas: Este é objetivo ambiental mundial de longo prazo. Seria desnecessário expor aqui todos os malefícios sócio-ambientais causados pela queima de combustíveis fósseis, tamanha é a difusão, alcance e disponibilidade das informações sobre o tema. Mas parece que o governo do estado de São Paulo não dá importância aos estudos amplamente difundidos e segue caminhando em direção contrária.

Matéria: Governo lança pacote energético e SP vai ganhar seis usinas a gás



Segundo a matéria do link acima, serão gastos aproximadamente mais de R$ 6 bilhões para a implantação de 6 usinas, além de um gasoduto que também será construído para esta finalidade. O secretário de Energia João Carlos de Souza Meirelles afirma que Enquanto ele (o gasoduto) está sendo implantado nós vamos trazer gás natural liquefeito [...]. Esse gás pode vir de navio a uma temperatura de 250 graus negativos.

Pergunto eu: Se a energia solar é gratuita, se a energia eólica é gratuita, se a energia maremotriz (marés) é gratuita, por que desembolsar mais de 6 bilhões de reais em energia de matriz energética fóssil? E se todas estas fontes de energia que citei são renováveis, limpas e com baixíssimo impacto ambiental, porque caminhar na contramão da humanidade investindo em uma matriz extremamente poluente e não-renovável? Para que gastar milhões de reais para construir milhares de quilômetros de gasodutos se aquelas fontes renováveis podem ser captadas e convertidas "in situ"?


Matéria: Cinzas de termelétrica cobrem carros e invadem casas em Candiota, RS




O que também chama a atenção, por ser tão extremamente preocupante quanto a construção das usinas, é a afirmação do próprio governador do estado: "A construção de usinas a gás é a alternativa encontrada pelo governo nos tempos de crise hídrica, já que as hidrelétricas são as principais geradoras de energia. Evidentemente para ampliar o consumo de gás e sobretudo gerar energia elétrica a partir do gás que é a coisa mais rápida que temos, afirmou Alckmin".

Como assim "é a coisa mais rápida que temos"? Percebe-se aqui toda a falta de planejamento que permeia os governos paulistas. Esta ingerência e negligência crônicas foram as responsáveis, por exemplo, pelo estrangulamento do abastecimento de água em São Paulo. Os governos que se sucedem há mais de 20 anos sempre trataram o assunto "saneamento" como não prioritários, sempre socorrendo o setor exatamente desta mesma maneira, com obras rápidas, emergenciais, com um pobre pensamento imediatista sem preocupar-se com situações futuras. Como diria minha avó: "Correndo atrás do próprio rabo".

Ainda segundo o próprio governador, o gasoduto tem previsão para estar pronto em 7 anos. Porém, basta observarmos o Projeto Tietê, por exemplo, cuja previsão era de despoluição em 10 anos mas hoje, mais de 20 anos e 6 bilhões de DÓLARES depois, o rio continua morto. Ou então observar a que passos lentos o Metrô de São Paulo é construído.


Querem uma indignação mais "voluptuosa"? Segue abaixo o link de um estudo cujo título é "Um futuro com energia sustentável: Iluminando o caminho". O estudo foi feito (pasmem!) pela FAPESP, também conhecida como Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo... Pergunto: Para que serve a FAPESP???


Link: Relatório FAPESP "Um futuro com energia sustentável: iluminando o caminho"


No referido estudo consta a seguinte conclusão:

"A dependência de combustíveis fósseis para satisfazer a maior parte das necessidades mundiais de energia está no cerne do desafio da sustentabilidade que confronta a humanidade neste século. A combustão de gás natural, petróleo e carvão gera emissões de dióxido de carbono, juntamente com outras formas prejudiciais de poluição atmosférica. O número cada vez maior de usinas a carvão poderá criar passivos climáticos consideráveis durante as próximas décadas. Ao mesmo tempo, a perspectiva de uma competição global mais acirrada e potencialmente desestabilizadora por suprimentos de petróleo e gás natural relativamente baratos e acessíveis está, novamente, gerando preocupações urgentes sobre a segurança energética em muitas partes do mundo. Enquanto isso, para muitos países pobres, gastos com petróleo e outros combustíveis importados consomem uma grande parte das divisas que poderiam ser utilizadas para investir em crescimento econômico e desenvolvimento social."

A própria FAPESP enfatizou em seu estudo o senso mundial comum sobre a mudança das matrizes energéticas:

"Cada vez mais comuns em muitos países, as políticas governamentais – normalmente motivadas pelas mudanças climáticas e preocupações com a segurança energética – têm desempenhado um papel importante no estímulo aos recentes investimentos em energia renovável. Atualmente, pelo menos 45 países, incluindo 14 países em desenvolvimento, adotaram diversas políticas – muitas vezes combinadas – para promover a energia renovável."

Segundo seu próprio sítio, a FAPESP é "uma das principais agências de fomento à pesquisa científica e tecnológica do país. Com autonomia garantida por lei, a FAPESP está ligada à Secretaria de Desenvolvimento Econômico, Ciência, Inovação e Tecnologia do Governo do Estado de São Paulo.
Com um orçamento anual correspondente a 1% do total da receita tributária do Estado, a FAPESP apoia a pesquisa e financia a investigação, o intercâmbio e a divulgação da ciência e da tecnologia produzida em São Paulo."


Em resumo, usinas termelétricas à gás são um pouco menos poluentes que outras à petróleo ou carvão, mas isto é muito pouco para investir-se bilhões apenas nesta alternativa que consome água e emite milhões de toneladas de resíduos particulados que causam poluição do ar e chuva ácida. Claro que o Brasil precisa desenvolver-se, crescer e permitir a geração de empregos e consequentemente a inclusão social, e óbvio que isto depende diretamente de sua capacidade energética, a qual tem andado em crise pois sua matriz é 70% hidráulica e temos atravessado épocas de fortes estiagens ocasionando a queda acentuada de rios e reservatórios. Mas percebemos que não há, por parte de nossos governantes, qualquer intenção em tornar este país mais ambientalmente correto e tornar este desenvolvimento sustentável. Estudos científicos apontam nessa direção então devemos orientarmo-nos por eles, caso queiramos que as futuras gerações possam também usufruir plenamente de nosso planeta.
O tempo está passando e apenas soluções imediatistas e paliativas são executadas, sem o mínimo vislumbre do futuro que nos espera.


Até a próxima e um abraço a todos...