sexta-feira, 7 de março de 2014

A defasagem do sistema metroviário de São Paulo

O transporte sobre trilhos é um dos maiores exemplos de sustentabilidade do setor logístico, pois utiliza energia limpa e renovável. Mas os governantes brasileiros, historicamente, têm uma tendência a investir em malhas rodoviárias, favorecendo o uso de veículos movidos a combustíveis fósseis muito mais caros, não renováveis e altamente poluidores.

Uma matéria publicada hoje no jornal "O Estado de São Paulo" com o título Metrô de São Paulo tem cada vez menos assentos chamou minha atenção, principalmente por ser paulistano e usuário deste transporte:

Matéria: Metrô de São Paulo tem cada vez menos assentos

Quem usa o metrô paulistano diariamente, como eu, já deve ter percebido uma redução de assentos, tanto nas composições velhas quanto nas novas.
Mas o que parece acontecer é que, ao meu ver, isto se trata de uma artimanha do governo estadual para acabar com as grandes aglomerações nas plataformas. Assim, mais pessoas são transportadas pelos mesmos trens, mas em situação absolutamente desconfortável e deplorável. Tudo isso para tentar ludibriar a população e fugir de melhorar a infraestrutura de transporte urbano.
A redução de assentos é boa? Sim, com certeza, ajuda a caber mais pessoas no vagão. O que não podemos é aceitar, ficar concordando com a redução de assentos pois em breve todas as composições só terão assentos reservados, ao mesmo tempo em que os problemas no transporte público ficam para o próximo gestor do estado, postergando a solução.

Resolvi então verificar, de forma um tanto informal mas baseado em dados oficiais, como vem se desenvolvendo o Metropolitano de São Paulo.

O Metrô paulistano iniciou suas atividades em setembro de 1974 com 6,5 quilômetros de linhas.
Hoje, após 40 anos e 9 governadores, por falta de investimentos em sua malha ferroviária, seu atendimento é precário e insuficiente para uma população de quase 11,5 milhões de habitantes.

São Paulo foi governado nos últimos 20 anos pelo PSDB, o qual construiu apenas 30,4 quilômetros de trilhos, isto é, um aumento de aproximadamente apenas 70% com relação à malha encontrada quando subiu ao poder. Pode parecer bastante, mas há um agravante: em 1994, o sistema metroviário já estava muito defasado, como pode-se verificar nesta reportagem da Folha de São Paulo de 13/09/1994:

Matéria: Metrô de SP completa 20 anos em crise financeira

Por outro lado, o número de usuários aumentou mais de 90% no mesmo período:








O caos do trânsito, que sempre aterrorizou os paulistanos que se utilizam de coletivos ou de condução própria, pode ter feito com que uma parte destes migrassem para o uso de metrô, além do próprio crescimento da população (16%) e do aumento de pessoas no mercado de trabalho.
Mas o fato é que os governantes passam por aqui, eximem-se do problema ao promoverem pouco avanço na área e mesclando esta quase inércia a iniciativas paliativas, terminando seus mandatos sem responsabilizarem-se ou sem serem responsabilizados pela falta de investimentos no setor.

Bibliografia:

Secretaria de Transportes Metropolitanos: http://www.stm.sp.gov.br/index.php/quem-somos-27/metro
Acesso em 07/03/2014.

Folha de São Paulo On Line: http://www1.folha.uol.com.br/fsp/1994/9/13/cotidiano/17.html
Acesso em 07/03/2014.

Biblioteca Virtual: http://www.bibliotecavirtual.sp.gov.br/saopaulo-governadores.php
Acesso em 07/03/2014.

Fundação SEADE - Informações dos Municípios Paulistas – IMP/2013: http://www.seade.gov.br/index.php?option=com_jce&Itemid=39&tema=5
Acesso em 07/03/2014.

Fundação SEADE - Anuário Estatístico do Estado de São Paulo - População, por Sexo, segundo Grupos de Idade - Município de São Paulo - 1994: http://www.seade.gov.br/produtos/anuario/index.php?anos=1994&tip=ment&opt=temas&cap=2&tema=dem#1
Acesso em 07/03/2014.

segunda-feira, 3 de fevereiro de 2014

Onda de calor: O Meio Ambiente Novamente Protagonista

Sempre desconfiei dos dados veiculados pelo IPCC (Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas), e ainda desconfio. A maioria dos cientistas deste instituto são oriundos de países desenvolvidos, os quais já não produzem tanto quanto há 20 ou 30 anos atrás, pois quem produz seus bens de consumo são os países pobres ou em desenvolvimento. O G-8 (grupo dos oito países mais ricos e influentes do mundo) vive atualmente de especulação financeira. As questões ambientais estão na crista da onda; existem rumores de que a maioria esmagadora dos cientistas que dependem de verbas públicas tornam-se adeptos à doutrina do aquecimento global para justamente angariar recursos sob esta linha e, veladamente, "tocam" suas verdadeiras pesquisas as quais, por não ter tanto impacto comercial, não seriam subvencionadas.

LINK: Para o IPCC, é necessário agir antes de 2030 para limitar o aquecimento global a 2ºC

Muitas pessoas podem dizer: "Quanta arrogância! Um zé-ninguém colocar em dúvida a pesquisa científica de cientistas renomados...".

São Paulo vive, neste começo de 2014, uma onda histórica de calor em uma sequência poucas vezes ocorridas desde o início das medições oficiais no Brasil. A última onda destas proporções ocorreu em janeiro de 1999 mas ainda foi um pouco inferior a esta, portanto houve um precedente inferior ao atual.

Diante de eventos como este da onda de calor, a atitude mais sábia é estar aberto a outras opiniões, afinal nunca haverá verdades absolutas, principalmente quando o tema é a Natureza, onde a previsibilidade existe mas com margens de erro seculares. Mas do alto de toda essa minha ignorância, algumas constatações podem tentar explicar este fenômeno.

AQUECIMENTO LOCAL E ILHAS DE CALOR


Por exemplo, a região da Grande São Paulo, incluindo a Capital, é uma área absolutamente impermeabilizada onde a recarga de seus lençóis freáticos não são mais feitas como há 60 ou 70 anos atrás. Assim, toda a água das chuvas que cai escoa superficialmente TOTALMENTE POLUÍDA por graxas, óleos, resíduos diversos que as pessoas descartam nas ruas, etc., desaguando nos rios mais próximos e afastando a recarga natural para outras regiões.

Outro fato: São raras as árvores, gramados ou até mesmo sem o solo natural que possam reter ou conter alguma umidade e liberar, por evapotranspiração, umidade para nossa atmosfera. Em contrapartida, o asfalto e o concreto acumulam todo o calor diário e o devolve à atmosfera. Para ficar ainda pior o quadro, esta mesma atmosfera transformou-se em um grande escudo constituído de gases acumulados originados de escapamentos dos veículos e da chaminé de algumas fábricas, devolvendo o calor às cidades ao invés de permitir a sua diluição pela estratosfera, criando então o chamado "efeito estufa" e as chamadas "ilhas de calor".
A teoria do aquecimento global manifestada pelo IPCC e por seus cientistas adeptos teria este mesmo princípio, porém em escala planetária. Este fenômeno chamado de "Aquecimento Local" pode ser o grande responsável por estas temperaturas acima da média histórica.

Toda esta alteração dos ciclos naturais, principalmente do Ciclo Hidrológico, fazem com que as características desta região também se modifiquem e tornem-se ainda mais imprevisíveis.

Mas, o que está voltando à cena?


A falta de áreas verdes, a poluição de TODOS os rios urbanos das grandes capitais brasileiras, o excesso de lixo aliado à falta de locais adequados para seu acondicionamento e tratamento, o uso desenfreado de recursos naturais sendo guiado pela ganância e pelo consumismo exacerbado e desnecessário e a impermeabilização das cidades são algumas das atividades cuja população deve ter consciência antes que ela própria tenha que adaptar-se quase que instantaneamente às adequações da própria natureza ao mundo à toda esta degradação que vem sofrendo. Isto pode significar a morte para os menos privilegiados.

DESEQUILÍBRIO DO ECOSSISTEMA


Muito se fala sobre a caça ou a pesca inescrupulosa de animais e sobre extinção de uma espécie, mas pouco se explica qual o verdadeiro risco de toda essa predação.

Todas as espécies de um determinado ecossistema participam de uma determinada cadeia alimentar. Vejam este exemplo em matéria da revista Superinteressante (abril/1998):


  • O plâncton animal se alimenta do plâncton vegetal, a fonte primária de energia no oceano.
  • Um camarão come diariamente milhares de diatomáceas, as espécies mais comuns de fitoplâncton;
  • O cardápio diário de um arenque se compõe de meio quilo de camarões e outros bichos pequenos que formam o plâncton animal;
  • O bacalhau, para não terminar o dia com fome, precisa engolir três ou quatro arenques ou o equivalente em outros peixes;
  • O tubarão branco, a fera mais temida dos oceanos, precisa comer no mínimo o equivalente a dois bacalhaus por dia;
Perceberam que há uma cadeia alimentar?

Agora imagine, por exemplo, se o camarão for extinto. Qual espécie acima seria o predador natural das diatomáceas (plânctons)? Nenhuma... Sem predador, haveria portanto um desequilíbrio e esta espécie cresceria exponencialmente, ao passo que o arenque morreria de fome ou teria que rever seu cardápio, adaptar-se, o que poderia não ocorrer em tempo hábil e entrar em extinção. Entrando em extinção, o arenque deixa de ser o prato principal do bacalhau, que mudará seus hábitos alimentares e irá atacar alguma outra pequena espécie, concorrendo com um outro provável predador, aumentando o consumo da espécie escolhida, o que poderá levar a existência desta última ao colapso e entrar em extinção levando consigo o bacalhau e os outros predadores naturais que porventura existam. Havendo escassez de bacalhau, o tubarão muda de dieta, etc. e etc.

Esta corrente existe entre todas as formas de vida do planeta. Sempre existiu. A quebra de apenas um elo pode desencadear um efeito colateral devastador, tanto para as espécies silvestres e selvagens, vegetais, animais ou celulares, quanto para o homem.

Algumas sugestões de vídeos e filmes:


O Grande Milagre (Trailer)

Wall-E (Trailer)

A História das Coisas (Vídeo completo dublado)

Ouro Azul - As Guerras Mundiais pela Água (Vídeo completo legendado)

A Era da Estupidez (Vídeo completo dublado - habilitar a legenda)


Flow - Pelo Amor à Água (Vídeo completo legendado)


quarta-feira, 15 de janeiro de 2014

Rachel Carson - A primeira defensora do meio ambiente

Aqui vai um resumo sobre Rachel Carson e seu livro A Primavera Silenciosa (Silent Spring), um estudo estarrecedor que culminou mais tarde na proibição e no banimento do DDT.


Ao ser introduzido para uso no combate a pragas, o DDT — o mais poderoso pesticida que o mundo já conhecera — terminou por mostrar que a natureza é vulnerável à intervenção humana. A maior parte dos pesticidas é efetiva contra um ou outro tipo de insetos, mas o DDT era capaz de destruir de imediato centenas de espécies diferentes de insetos. O DDT, cujo inventor recebeu o Prêmio Nobel, tornou-se conhecido durante a II Guerra Mundial, quando foi usado pelas tropas americanas contra insetos causadores da malária. Ao mesmo tempo, na Europa, começou a ser usado sob a forma de pó, eficiente contra pulgas e outros pequenos insetos.



No livro Silent Spring (A Primavera Silenciosa), lançado em 1962, Rachel Carson mostrou como o DDT penetrava na cadeia alimentar e acumulava-se nos tecidos gordurosos dos animais, inclusive do homem (chegou a ser detectada a presença de DDT até no leite humano!), com o risco de causar câncer e dano genético.



A grande polêmica movida pelo instigante e provocativo livro é que não só ele expunha os perigos do DDT, mas questionava de forma eloqüente a confiança cega da humanidade no progresso tecnológico. Dessa forma, o livro ajudou a abrir espaço para o movimento ambientalista que se seguiu. Juntamente com o biólogo René Dubos, Rachel Carson foi uma das pioneiras da conscientização de que os homens e os animais estão em interação constante com o meio em que vivem.

Quando o DDT se tornou disponível para uso também por civis, poucas pessoas desconfiavam do miraculoso produto, talvez apenas aquelas que eram ligadas a temas da natureza. Uma dessas pessoas foi o escritor E. W. Teale, que advertia: "Um spray que atua de forma tão indiscriminada como o DDT, pode perturbar a economia da natureza tanto quanto uma revolução perturba a economia social. Noventa por cento dos insetos são benéficos e, se são eliminados, as coisas em pouco tempo fogem do controle."
Outra dessas pessoas foi Rachel Carson, que propôs um artigo para o Reader's Digest falando sobre a série de testes que estavam sendo feitos com o DDT próximo a onde ela vivia, em Maryland. A idéia foi rejeitada.

Treze anos mais tarde, em 1958, a idéia de Rachel de escrever sobre os perigos do DDT, teve um novo alento, quando ela soube da grande mortandade de pássaros em Cape Cod, causada pelas pulverizações de DDT. Porém seu uso tinha aumentado tanto desde 1945, que Rachel não conseguiu convencer nenhuma revista a publicar sua opinião sobre os efeitos adversos do DDT. Ainda que Rachel já fosse uma pesquisadora e escritora reconhecida, sua visão do assunto soava como uma heresia.
Então, ela decidiu abordar o assunto em um livro.
A Primavera Silenciosa levou quatro anos para ser terminado. Além da penetração do DDT na cadeia alimentar, e de seu acúmulo nos tecidos dos animais e do homem, Rachel mostrou que uma única aplicação de DDT em uma lavoura matava insetos durante semanas e meses e, não só atingia as pragas, mas um número incontável de outras espécies, permanecendo tóxico no ambiente mesmo com sua diluição pela chuva.
Rachel concluía que o DDT e outros pesticidas prejudicavam irremediavelmente os pássaros e outros animais, e deixavam contaminado todo o suprimento mundial de alimentos. O mais contundente capítulo do livro, intitulado "uma fábula para o amanhã", descrevia uma cidade americana anônima na qual toda vida — desde os peixes, os pássaros, até as crianças — tinham sido silenciadas pelos efeitos insidiosos do DDT.
O livro causou alarme entre os leitores americanos. Como era de se esperar, provocou a indignação da indústria de pesticidas. Reações extremadas chegaram a questionar a integridade, e até a sanidade, de Rachel Carson.

Porém, além de ela estar cuidadosamente munida de evidências a seu favor, cientistas eminentes vieram em sua defesa e quando o Presidente John Kennedy ordenou ao comitê científico de seu governo que investigasse as questões levantadas pelo livro, os relatórios apresentados foram favoráveis ao livro e à autora. Como resultado, o governo passou a supervisionar o uso do DDT e este terminou sendo banido.
A visão sobre o uso de pesticidas foi ampliada e a conscientização do público e dos usuários começou a acontecer. Logo, já não se perguntava mais "será que os pesticidas podem ser realmente perigosos?", mas sim "quais pesticidas são perigosos?"

Então, em vez dos defensores da natureza terem de provar que os produtos eram prejudiciais, foram os fabricantes que passaram a ter a obrigação de provar que seus produtos são seguros.



A maior contribuição de A Primavera Silenciosa foi a conscientização pública de que a natureza é vulnerável à intervenção humana. Poucas pessoas até então se preocupavam com problemas de conservação, a maior parte pouco se importava se algumas ou muitas espécies estavam sendo extintas. Mas o alerta de Rachel Carson era assustador demais para ser ignorado: a contaminação de alimentos, os riscos de câncer, de alteração genética, a morte de espécies inteiras... Pela primeira vez, a necessidade de regulamentar a produção industrial de modo a proteger o meio ambiente se tornou aceita.

(Extraído de http://www.portalsaofrancisco.com.br/alfa/agrotoxicos/agrotoxicos-primavera-silenciosa.php Acesso em 14.01.2014)

terça-feira, 17 de dezembro de 2013

Licenciamento Ambiental

História

Dos pontos de vista ambiental, econômico e social, o período entre o final da década de 1960 e o início da década de 1970 foi marcado pelo despertar dos países desenvolvidos com relação à qualidade de vida dos habitantes de todos os habitantes do planeta, pobres ou ricos, afetados pelas implicações globais que o consumo desenfreado de recursos naturais, aliado à poluição ocasionada pelo descontrole das emissões de gases e resíduos realizados indiscriminadamente na natureza.

Assim, nasceu em 1968 a expressão e o conceito de “desenvolvimento sustentado” na Biosphere Conference, em Paris, um modelo de desenvolvimento econômico que levava em consideração a disponibilidade dos recursos e as implicações que seu consumo desenfreado traria à longo prazo. Em 1969 os EUA lançam sua National Environmental Policy Act, a Lei da Política Ambiental Americana prevendo entre outras regras, a Avaliação de Impacto Ambiental (Environmental Impact Statement – EIS) para projetos, planos, etc. de intervenção no meio ambiente.

A onda de racionalização de recursos e minimização de impactos ambientais culminou com a Primeira Conferência das Nações Unidas para o Meio Ambiente, em 1972, com vários debates formais sobre os temas, com a ordenação de estudos sobre a qualidade de vida e do planeta.
Esta onda ambientalista trazida pela primeira conferência não foi vista com bons olhos pelos líderes dos países em desenvolvimento, inclusive no Brasil, onde as questões ambientalistas estavam em segundo plano uma vez que, diante dos altos índices de pobreza, desnutrição e analfabetismo, frear a economia e o desenvolvimento econômico seria, sob a ótica conservadora destes governantes, uma sentença de eterna subserviência aos países do chamado “primeiro mundo”, os verdadeiros culpados pela desestabilização da Natureza.
Porém, a ONU, por meio de seus braços financeiros, incorpora mecanismos e parâmetros para a liberação de recursos à título de empréstimos que visem novos projetos. A avaliação de impactos ambientais é um deles.
No Brasil do final da década de 1970 e início de 1980, os empréstimos junto ao BIRD e ao BID eram cruciais à efetivação de projetos extremamente necessários, como as hidrelétricas de Sobradinho e de Tucuruí, entre outros. Mas para receber tais recursos, estudos de impacto foram realizados em conformidade com as exigências internacionais, uma vez que o país não possuía suas próprias normas.
Diante desta situação de submissão às normas estrangeiras, muitas vezes em dissonância com nossa biodiversidade e peculiaridades ambientais e com o agravante de estarmos sob uma ditadura militar extremamente nacionalista, passou-se a perseguir nossa própria regulação. Assim, em agosto de 1981 é editada a Lei 6.938, que criou a Política Nacional do Meio Ambiente - PNMA.

Licenciamento Ambiental

A PNMA, sob o objetivo principal de “preservação, melhoria e recuperação da qualidade ambiental propícia à vida, visando assegurar no País, condições ao desenvolvimento socioeconômico, aos interesses da segurança nacional e à proteção da dignidade da vida humana [...]” (artigo 2º), veio conceituar temas como: meio ambiente, degradação da qualidade ambiental, poluição, poluidor etc. e previu nos incisos II e III de seu artigo 9º e em seu artigo 10º a necessidade de Avaliação de Impacto Ambiental e de Licenciamento Ambiental e sua revisão, para atividades efetiva ou potencialmente poluidoras.
A regulamentação desta lei, com as exigências básicas para fins de licenciamento ambiental, foi feita por meio do Decreto 99.274/1990. Isto significa que, por mais nove anos, o país permaneceu acompanhando as normatizações internacionais.

Outros sete anos se passaram até que os critérios básicos para os estudos de impacto ambiental e respectiva licença ambiental viessem a ser fixados, com o advento da Resolução CONAMA 237/97. As atividades ou empreendimentos sujeitos ao licenciamento ambiental foram então especificados. Para estas atividades, os pedidos de licença passam a ser obrigatoriamente divulgados e acompanhados de prévio estudo de impacto ambiental e de um relatório de impacto ambiental (EIA/RIMA), expostos à apreciação pública.
Com o advento da Resolução 237/97, estados e municípios tiveram um “norte” e passaram a estabelecer suas próprias regras, desde que não ocasionassem conflitos com as determinações federais.

POR QUE LICENCIAR?

Seria muito simples se respondêssemos: “Porque é obrigatório!” Aliás, a maioria esmagadora do empresariado tem nesta resposta a única razão que os impelem ao procedimento correto. Mas o verdadeiro motivo vai muito além da obrigação legal...

Possuir uma licença ambiental significa (ou deveria significar) que se está enquadrado dentro dos parâmetros legais exigidos, os quais têm como premissa não permitir: a degradação ambiental com a poluição dos solos, das águas e do ar; o uso indiscriminado dos recursos naturais e; expor ao risco o equilíbrio dos ecossistemas e de seus integrantes, incluindo-se aí o homem.

Portanto, possuir uma licença ambiental significa estar em harmonia com o meio ambiente, contribuindo para que esta e as demais gerações futuras possam dele usufruir.

segunda-feira, 2 de dezembro de 2013

quarta-feira, 11 de setembro de 2013

Tempos Modernos

No início do século 20, Charles Chaplin, de forma contundente e realista, mas de forma cômica e inteligente, nos transporta à outra face do desenvolvimento, representado pelas linhas de produção fabris.


Esta era a visão dos tempos modernos vividos àquela época: Opressivo e desumano aos operários, cujo serviço braçal possibilitava às classes mais abastadas usufruir das novas tecnologias, enquanto eles, além de serem, por falta de recursos, excluídos naturalmente do acesso ao conforto produzidos por eles próprios, a insalubridade e a falta de segurança nos locais de trabalho acarretavam uma abreviação na longevidade e expectativa de vida. Simbolicamente, as linhas de produção representam também o consumismo, a necessidade de se produzir mais, o mais rápido possível, para que o retorno financeiro também seja breve. Tem-se paralelamente a extração de recursos naturais de forma cada vez mais frenética e ensandecida com, obviamente, a descomunal geração de resíduos, tanto por parte das empresas quanto pelos consumidores.

Quase um século se passou e centenas de leis trabalhistas foram, aos poucos, minimizando esta situação de subserviência até chegarmos aos dias atuais onde, se o atual compêndio de leis nacionais e internacionais forem devidamente cumpridas, o trabalhador pode alcançar uma vida digna.

Mas, e hoje... O que podemos entender por "Tempos Modernos"? Ou seriam "Tempos Pós-Modernos"?

Hoje a modernidade é efêmera, no sentido de que toda a tecnologia desenvolvida também é ultrapassada com a mesma velocidade com que outra é desenvolvida. Mas esta rapidez com que um produto se torna melhor ou "mais avançado" do que outro é proposital, visa apenas a manutenção do consumo e consequente lucro.
Por trás da necessidade de consumo existem outros agravantes:

- a necessidade de ter algo da moda para ser ou fazer parte de um grupo;
- a necessidade de adquirir algo on line com comodidade e conforto, sem precisar andar por ruas e lojas ao ar livre;
- delivery, fast food, praças de alimentação e shopping centers são algumas das opções de um tempo moderno onde o sedentarismo e a futilidade imperam.

Então entendemos que, hoje, "Tempos Modernos" tem a ver com menos coletividade, saúde e socialização, mais individualismo, sedentarismo e enclausuramento. Portanto, os "Tempos Pós-Modernos" do século 21 são sinônimos de Distopia:

DISTOPIA: Em Filosofia, significa o oposto de utopia. A distopia é um pensamento filosófico que caracteriza uma sociedade imaginária controlada pelo Estado ou por outros meios extremos de opressão, criando condições de vida insuportáveis aos indivíduos. Normalmente tem como base a realidade da sociedade atual idealizada em condições extremas no futuro (www.significados.com.br).

Alguém aí assistiu ao filme/animação Wall-e? Vejam um trecho:




Seria exagero achar que nossa humanidade caminha para esta situação? Vejam alguns dados atuais:


O mapa demonstra claramente uma proporcionalidade entre o índice de obesidade e os hábitos consumistas e suas condições de vida.

Neste final de semana passado fui com minha esposa até um Shopping Center da Zona Norte de São Paulo (hábito que tenho verdadeiro pavor) pois ela queria comprar um determinado produto.
Aproveitamos que ali estávamos e acabamos almoçando... Foi aí que veio-me a ideia de escrever algo.
Em determinado momento, enquanto comíamos uma comida razoavelmente saborosa e razoavelmente cara, percebi que uma coisa começava a irritar-me: O RUÍDO. Pessoas falando alto e ao mesmo tempo, enquanto que uma música ininteligível toca no fundo com pitadas frequentes de uma voz em um alto falante procurando o proprietário do veículo tal, placas tal...
Esta minha refeição foi inesperada, coisa rara de acontecer MESMO; mas sei muito bem que diariamente milhares de pessoas têm nisso um hábito. E foi naquele momento que comentei com minha esposa:

"Qual o nível de conformismo ou de acomodação no qual chegou o ser humano em fazer compras e, na mais pura preguiça de se dirigir a um local mais reservado, fazem ali mesmo sua refeição? A refeição é uma das raras necessidades fisiológicas que fazemos com prazer. Será que em suas casas, as pessoas acostumadas a essas praças de alimentação, convivem durante suas refeições com tais ruídos? Começo a preocupar-me com isso, com esses vícios dos "Tempos Pós-Modernos". Sou de um tempo em que o prazer de se comprar algo estava também em caminhar pelas ruas, pelos calçadões, ao ar livre e, depois, caminhar até um cinema, assistir a um bom filme, um bom jantar..."

Seria interessante que alguém pudesse comentar à respeito, pois isto é apenas a MINHA opinião. Talvez alguém tenha outro ponto de vista ou, quem sabe, o lado positivo sobre esta compulsão por enclausurar-se, ser servido como um animal com dinheiro por pessoas automatizadas, escravos com carteira assinada de sorriso "paraguaio" (ou ching ling). Ou talvez o medo e os índices de criminalidade tem "atocaiado" as pessoas nessas arapucas.

quarta-feira, 7 de agosto de 2013

Uma reação contra a obsolescência programada.

Nós, cidadãos decentes, trabalhadores, estamos cansados de sacrificar nossas vidas para alimentar os vícios do capitalismo e os vícios (dos) políticos.
Esta matéria da revista ISTOÉ e seu respectivo assunto vêm no exato momento em que há um cheiro de mudanças no ar:


Na sociedade atual, globalizada e desvairada, habitam seres que anseiam, necessitam desesperadamente de INCLUSÃO SOCIAL. Mas existem dois tipos de inclusão social:

a) A inclusão social do ponto de vista HUMANÍSTICO: aquela possibilitada pelo poder público ou por algumas instituições ou fundações assistenciais, que permite o acesso de pessoas sem posses ou empregos (os "excluídos") a uma vida mais digna;

b) A inclusão social do ponto de vista FÚTIL: aquela que permite o acesso de pessoas a círculos sociais por meio do consumo desenfreado de produtos, artefatos ou serviços absolutamente desnecessários à existencialidade ou à real necessidade, apenas para poder ser aceito em determinados círculos de amizade, sociedade ou grupo.

- Como você se sente quando alguém fala: "E aí... Não vai trocar esse celular?"
- Ou então não sente uma invejazinha super hiper velada quando um colega diz: "Meu, comprei um HB20 da hora... ?"
- Se sente mal por alguém reparar seu tênis velho, mas sem nenhum furo?? Fica com uma "coceirinha" para comprar um novo?

Mudar de hábitos não significa privar-se de coisas boas, mas sim livrar-se do que não é essencial ou necessário. E saiba que apenas fazendo a sua parte, aquelas pessoas que lhe estimam DE VERDADE compreenderão e poderão ser até influenciadas.


MAS AQUI VAI UM ALERTA:

O Desenvolvimento Sustentável é a única arma contra o consumismo. Vivendo num planeta capitalista, nos atuais moldes de desenvolvimento, abandonar o consumismo seria disseminar o desemprego, a fome e a miséria. NÃO, ISTO NÃO É UM ANTAGONISMO AO QUE ESTOU DIZENDO...


A população mundial está profundamente ligada ao consumismo. Sem ele não haverá vendas; sem vendas não há produção; sem produção, empresas fecham e demitem pessoas; pessoas demitidas não possuem dinheiro; nos centros urbanos, onde vivem 80% da população mundial, sem dinheiro não há comida; e sem comida...


As mudanças devem ocorrer imediatamente, mas com planejamento. Esta lâmpada inventada pelo Engenheiro Benito Muros pode ser uma "idéia" inicial, um ponto de partida na cabeça de todos nós.


Lembrando sempre:

Os resíduos sólidos e os 3 Rs da sustentabilidade com desenvolvimento.Reduzir, Reaproveitar e Reciclar.